Estive vivo, agora morro para sempre
.
Vinte e um passos
Alguns mais por outros lados
Um caminho ao contrário
E duas Guerras ao todo
Aos olhos oficiais
Obtidos por uns poucos
Que ignoram a eternidade
Doutras menos “Respeitáveis”
Judeus enforcados
E gigantes americanos
Mas que é a Palestina,
E do que é feito um africano?
É feito de medo
Englobado por barreiras
Construídas à distância
Por solenes presidências
É feito de dor
Inerente aos senhores
Donos do gozo
Por disporem de valor
Não recebe convite
À brecha da compaixão
Deixado à parte
Como as guerras de então
É feito de escracho
Limitado aos restos
Degraus inferiores, margens, infernos
E aos peões em desuso
Por quem se diz mais esperto
Por quem concebe do gozo
Elegante cria
Ariana e íntegra
A jazir em ouro
E fadada pelo eterno
Ao tranquilo repouso
Um tanto ao Oriente
Irrompe da lápide
Um filhote crioulo
Estrangulado por cordão
Um século antes
Assassino de sua mãe

E da origem de seu ente
Recosta na manjedoura
Onde tornara-se filhote
Valendo-se de miseráveis
Sedentos por afeição
Por um traço de piedade
Que evidencie sua condição
Partem da Terra
Imaculados
Somente os pálidos
E os submetidos
À branca conversão
Os que destes restarem
Abrigarão sua ruína
Pregados à cruz
Sem fiél sobrestante
Restante a orar por sua salvação

{04/14}

(Source: blacknanny, via porn4ladies)

obuzaba:

Decay pt. 6

obuzaba:

Decay pt. 6

O Tudo cresce, e desabrocha
E floresce, se engrandece
No ciclo, da vida
No sentido, do Homem
.
Procuro só, o sentir
O esqueço, na procura
Perdurando, o perco
Não sorrio, morro.
Morro?
.
A morte! Tão inimiga
Podia ser minha
Triste, tanto a vivo que a desejo.
Enaltecer meus dias, podia!
Não comigo, os abriga.
.
Mas a procura mantém-se.
A busca incessável
Por meu eu menos vulgar
Que sobreponha o choro e o corte
Só por ver, ou não ver
O motivo de ser.
.
Grande, infinita
{11/13 - 03/14}

(Source: alixixthegreat)

XXI

.

Sou da rua, do escritório

Da mata, do mundo, da vida

Sou esguia

Branca e preta

.

Vim da terra

Com um sonho:

Ter-me aceita

Um vero apreço 

.

E vou bradar, pairar

Por poderio popular

À volúpia do conjunto

Quero o povo libertar

.

Dar a si

De sua glória

Entregá-lo

Ao meu gozo.

.

E dominar,

O inevitável

E desfrutar

Do não decesso.

.

Sem pudor, meu alvitre

Quer eu grite

Dois milênios

Um clamor

.

Mas que me escutem, por favor!

Não é mais tempo dessa dor.

{03/14}

Sem olhos inquisidores
Não se causa pesares
A pobres inquietos
São pessoas aqueles com força
Com pés de ferro
Capazes de derreter-se
Em meio ao espaço mais gélido.
.
Homens, mulheres, seus amores sem sexo
Monstros com rostos
Vítimas do Tempo
Qualquer um com um cérebro
Que seja bípede e incerto
.
O destino e o porquê
São como engenhos:
Num glorioso passado
Por nós foram construídos
Mas sendo todo humano tão cego
E covarde para enfrentar seus medos
Acorrentou-se por eles
Aos maiores limites de seu ente
E encontrou-se inteiro
Em seus mais ignorantes erros.
.
Sem pontos de vista somos todos iguais.
Não há ambição, utopia ou incertezas
E inexistentes tornam-se os tão recorrentes poderosos senhores
Resta apenas o mundo e o Homem
O Homem, o agora e seu viver.
.
{01/14}

Inquietude

.

Em velhice

Crê-se ver tudo,

Mas ampliaram-se os parâmetros.

Nos tempos de hoje

Quanto mais se conhece

Sobre menos tem-se conhecimento

Por inalcançável

Ter tornado-se

O mundo dos homens

A olhos nus.

 .

Com crenças alguns desvendam

A si e ao externo

Mas negando

O que nos envolve

Como externo

Absoluto

Proporcionamo-nos outros exteriores

Com os quais possamos

Nos envolver.

 .

Limitar o universo

A um extremo

É tapar a si mesmo

Com respostas em falso

Ou encobrir o rosto

Com um lenço

Qualquer;

Vestir-se de conforto estável

Impedindo o verdadeiro viver.

 .

Mas ao ampliar a si mesmo

Paralelo ao espaço

Rumos nascem, rumos os quais

Pode-se escolher:

 .

Poderá fazer-se de seu próprio fluxo

E terá os benefícios desfrutados

Quando se é ainda pueril

Aproveitar-se-á do mundo

Como uma roda gigante

E nele planará,

Crendo ser um humano

Feito inteiro de pipa

Sem saber

Submergir-se

Mais a cada dia

Em prantos infantis.

 .

Ou

Se assim quiser

Fará dele um amigo protetor

Distanciando todo medo

E de si

Tornando-se senhor

Mas saberá estar vestido

Com o sangue dos mortos

E para que mantenha nítida

Sua visão

Extinguir-se-á

Em seu próprio almirante.

 .

Porém

Antes de infiltrar-se

Nas profundezas do inalcançável

Seja ele qual for

Há de impedir-se por uma leitura.

Consta

Entre o não-caminho

E quaisquer outros

Um aviso apenas:

 “Não há retorno

Ao aconchego”

.

{01/14}.

neuromaencer:

by Aron Berndsen

Narrativa de um filme em versos.

Rose and Jasmine de Michael Pilz

.

Algo indo, retorna depressa - luzes assustadas.
O fitar. O irmão, o igual pelos cabelos e tempo
Carga, desnorteada
A divisão de estradas
Uma senhora coberta num manto preto pede, e espera.
A cama, vazia, como quem aguarda seu dono
O menino descalço, que sob as luzes fita
As muitas roupas que as separam do Sol
A porta fechada; o sorriso.
Cruz dupla, um monumento
Cotidiano… O cansaço, e cortinas corrompidas!
Há cruzamentos na estrada.
Lamparinas balançam no escuro, para si - rodopiam!
(No momento em que o comum intriga,
O mais intrigante em comum se torna)
Raios ultrapassam enfim o semi-abrir de uma fechadura
Mesmo com o tocar, esta se encontra sombria.
É esforço que se esvai,
O fardo que puxa o envelhecido ao chão, só por ser velho.
Andares de madeira que perduram sobre o centro
Mede, o Homem, escala, o Homem (há ambição)!
Dois polos, equiparados pela beleza de um terceiro
Paisagem embaçada,
E bicicletas, carregadas de passado, sem caminho.
Rachaduras num dos lados do espaço, da cortina
O reflexo de rugas, uma dançarina
A música gira para si;
Girando nos gira.
A fresta de um paredão
Enjaulada. Em grades, mais grades…
Infeliz sombra que encobre meu Sol!
A imagem dentro da imagem, o pesadelo crescido de um sonho.
Lentidão e a falta de claridade - lentes de contato que viram necessidade.
Tons se invadem, se engolem (misturam-se à água)
São como pupilas, nos encaram.
As luzes não foram tão esquecidas
Agora se movem como estrelas, num céu poluído
Poluído, pelos detritos que exalamos
Diluídos pelos quadros, pela música - e a dança, a arquitetura.
Repentinamente, se encobrem, numa quase transparência:
mais cortinas divisórias.
É uma flor bordada que tudo transpassa,
O tudo tão belo e vasto
Pintado de branco,
Por negro sendo tomado.

.

{11/13}


Les encastrés, 2005 by Agnès Geoffray

Les encastrés, 2005 by Agnès Geoffray

(Source: efedra, via slut-for-god)

decayist:

Bruised, By EYEspEYE on Flickr

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(Source: evenio, via poussierecosmique)